Diário de uma anoréxica: paciente conta altos e baixos do distúrbio silencioso
Postado em | 4 de dezembro de 2009 | 13 comentários
Por Letícia González
Fernanda hoje, pesando 10 quilos a mais que em 2008, conta em livro o drama que viveu
Prestes a completar 30 anos, a turismóloga Fernanda do Valle desencadeou um pico do distúrbio que a acompanhava desde a adolescência. Por conta de um conselho médico que limitava sua dieta, simplesmente parou de comer.
O problema cresceu na proporção inversa dos números na balança. Quanto mais emagrecia, mais pensava “só outro quilo a menos”. Até que, depois de uma primeira internação e a certeza de que controlava seus impulsos, teve um colapso que quase lhe custou a vida. Em “Eu, ele e a enfermeira…na luta contra a anorexia”, lançado nesta quinta-feira, ela conta os altos e baixos da doença – e eles são muitos.
Fernanda conversou por telefone com Marie Claire Online e revelou as partes mais difíceis dessa luta contra os próprios pensamentos. Confira:
Marie Claire – No livro, você diz que a sua anorexia foi desencadeada por um diagnóstico de hipoglicemia. Como isso pode acontecer?
Fernanda do Valle – Eu tenho transtorno alimentar desde os 12 anos, mas convivi com ele por anos e minha família nunca notou. Quando comecei essa dieta (o médico havia cortado doces, açúcares, frituras e carboidratos de farinha branca), eu fiquei sem opções. Aí eu perdi a mão de vez.
MC – Como eram os seus pensamentos em relação à comida?
FV – Meu pensamento sempre foi obsessivo pela magreza. Meu pai e minha irmã mais velha tinham sobrepeso e, no pânico de engordar, eu tentava criar uma margem de segurança de magreza. Eu sabia o valor nutricional de cada alimento. No final do dia, fazia a conta para ver se batia com o que eu queria. Então, programava o dia seguinte.
MC – Como era a sua alimentação?
FV – Eu fazia tudo errado. Ficava muito tempo sem me alimentar e, quando comia, perdia a mão e comia demais. Chegava a fazer 24 horas sem comer. Toda segunda-feira começava um regime novo, sempre por conta. Além disso, comia e ia correndo para a academia queimar o que havia ingerido. Comer de três em três horas só entrou na minha vida depois do tratamento contra a anorexia.
MC – Qual foi o seu menor peso?
FV – Eu cheguei a pesar 41 kg.
MC – Por que você acha que teve tantos altos e baixos no tratamento?
FV – Porque os pensamentos obsessivos são muito fortes. Eu estava vendo uma cena na novela (“Viver a Vida”, da TV Globo) em que a Bárbara Paz dizia “eu quero melhorar, mas não consigo”, e eu senti aquilo dentro de mim. Você tem a consciência, mas a doença é muito forte. Depois que você aceita (se tratar), ainda tem de lutar contra os seus pensamentos.
MC – O que você sentia quando ganhava peso?
FV – Eu tinha muito medo de perder o controle. Sonhava que acordava e não conseguia levantar da cama de tão gorda que estava. Pensava que as pessoas não gostariam de mim se fosse gorda.
MC – Você tinha medo de perder o amor do seu namorado?
FV – Na época eu estava tão egoísta e obsessiva comigo que eu nem pensava nos outros. O problema era comigo mesma. Ele me pedia para ganhar peso, pois havia me conhecido com 10 quilos a mais, mas eu não dava bola.
MC – Por que os outros não percebiam o que se passava?
FV – Eu era uma bela de uma atriz. Não fazia a compensação na frente dos outros. Às vezes dava desculpas como “já comi no colégio”, “jantei em casa”, “estou com dor de garganta”. Desculpas existem muitas.
MC – Você se considera uma pessoa ansiosa?
FC – Sim, eu ainda me considero uma pessoa muito ansiosa. Tenho que me vigiar para não fazer três coisas ao mesmo tempo, não puxar o laptop quando estou comendo, não levantar. Tenho dificuldade de slow-down.
MC – Você se pesava muitas vezes?
FC – Muitas vezes por dia! Eu tinha balança em casa e, se passava na farmácia, parava para me pesar. Pesava antes e depois da atividade física. Eu era obcecada pelo número. Hoje me peso só na nutricionista.
MC – Como você se via?
FV – Eu me via magra, mas queria sempre um pouco mais. Achava a magreza que via no espelho bonita. Hoje, eu me sinto mais magra do que quando pesava quase 10 quilos a menos. Quando vejo as fotos daquela época, me acho com cara de ratinho de laboratório.
MC – Quanto você pesa hoje?
FV – Entre 50 e 51 kg, e meu IMC (índice de massa corpotal) oscila entre 18,5 e 19.
MC – Quais são os seus esforços para não sair dos trilhos?
FV – É a vigilância constante. Eu tenho que aceitar o meu ponto fraco e me submeter à minha equipe médica. Eu tenho que saber que não detenho o controle. Se eu perder a mão, vou confiar neles.
MC – Você saiu do hospital em janeiro. O que mudou na sua vida?
FV – É outra vida. Minha mente estava tão focada nisso, que não sobrava tempo para outras coisas. Hoje, se estou com o meu filho, minha cabeça está com ele, e não calculando calorias e pensando o que vou comer depois.
Fonte: Revista Marie Claire











Oi Lili!
Como vc está?
Estava lendo os posts q vc fala da sua RA, q vc está sem paciência p/ anotar… Fica tranquila. Ao menos tente. Acho q isso é só uma fase. A gente se cobra mto o tempo todo. Acho q as vezes queremos dar um tempo, né, não? Ai acontece o q aconteceu ou o q está acontecendo c/ vc. Tente não se cobrar tanto o tempo todo!
Vc sabe q consegue, qdo tiver a fim, tenho certeza q vai voltar a fazer tudo certo.
Tô c/ saudades, querida!
Grandes bjs
Fique c/ Deus!
Turismóloga? É cada uma… até parece palavra criada por alguém que tava com uma fome lascada. Bem, qdo se fala em peso, há que citar tb a altura da pessoa. O peso de 41 kg pode ser saudável se a gaja tiver 1,50 de altura. No caso da moça da matéria provavelmente ele tem 1,65 de altura e se tiver ossos finos está pesando bem.
41kg eu considero magro demais para qualquer pessoa adulta que tenha estatura acima de 1,45m. Ela devia ter um corpo absolutamente abominável. Nào à tôa que isso é doença mesmo – lembrei agora daquela propaganda em que a menina se vê no espelho gorda, mas quando a câmera se afasta, ela se revela ser praticamente um esqueleto em pé.
Bjos, Jú
Nossa Lu, deve ser muito ruim vc querer se ajudar, lutar contra a falta de apetite e não conseguir, que bom q ela nao morreu né, é por ser divertido e informativo que amo seu cantinho, big beijo amore.
Muito importante e esclarecedora essa matéria, pois existem pessoas totalmente obcecadas por estética, sobrepeso…e se esquecem do principal bem que possuímos, a nossa saúde!!!
Bom domingo!!
Ontem a TV francesa apresentou um desfelo de modas com 19 modelos (contei 19)… magéeeeeeeeeeeeRRImas. E isso que a TV acrescenta 5 kg ao visual.
é… ser comedora compulsiva é muito triste, mas este outro lado dos transtornos alimentares tb é muito triste não é mesmo? Que bom que ela venceu a luta!
Só não sei como ela aguentava 3 horas de academia sem se alimentar…
Desculpa Lú
Eu venho aqui e nao comento mas agora esse depoiemento da Fernanda do Vale, um grande alerta! Conheci uma menina q chegou a menos de 40 kg e ficou cadaverica mesmo! E era uma pessoa muito cheia de vida e espalhava alegria onde andava.
Ficou tao estranha. E eu tive medo de ir comprimentar ela!
E me desculpe falar de um comentario, Lisa, turismologa eh uma profissao q mexe com turismo e apresenta coisas lindas da cidade, nao gostei da sua palavra q disse: “Turismóloga? É cada uma… até parece palavra criada por alguém que tava com uma fome lascada” , eu sou Turismologa e amo apresentar a minha cidade Maravilhosa para quem vem por aki! E nao tem nada haver em passar ideia de quem ta com fome.
Desculpe o desabafo.
Um beijo
Ema Lúcia
Ah Ema Lúcia, pensei que desse pra percerber que meu comentário mencionando fome foi aproveitando o assunto do post… categoria humor-criatividade… rs… rs…
Tinha caprichado numa resposta tão legal e perdi o texto… resumindo, entendi sim que a moça é Guia Turística. Apenas não me dei com a terminologia usada na matéria do post, foi isso. Nada contra a profissão, longe disso !!!!! Seria meio difícil a gente saber muita coisa do que sabe sem os tradutores e sem os guias turísticos! Acho que eu mesma teria sido uma profissional e tanto tb… mas me identificaria como Guia Turística… não sou dada a modismos no linguajar… principalmente qdo inventam uma palavra sem graça pra dizer algo que vem sendo muito “bem dito” há dezenas de anos. Mas se vc gosta e prefere se indentificar como Turismóloga, acho que está bem… pra mim vc continua sendo Guia Turística e sem dúvida alguma uma excelente profissional.
Muito interessajte o depoimento da Fernanda. O meu problema sempre foi controlar o sobrepeso, a obesidade e o comer compulsivo, mas tenho pessoas bem próximas a mim que tiveram que lidar com outro tipo de distúrbio alimentar.
Minha irmã passou uma fase em que praticamente não comia nada, influenciada pelo fato de todos aqui em casa (eu e meus pais) terem problemas com a balança e as amigas da faculdade, que viviam de dieta.
Chega até a ser engraçado hoje, após 1 ano e 6 meses da minha gastroplastia, com 57kg distribuídos em 1,60m, ela me acha super magra (nas palavras dela, “chega a dar agonia” me ver provando roupas) mas ao me dar uma blusa que usava na época e ver que não cabia em mim, por estar pequena, foi que ela teve realmente a noção do quanto estava magra.
Oi Lu!
As vezes eu até falo que preferia ser anoréxica, mas depois me arrependo e peço perdão, deve ser muito triste.
Aqui no Brasil passou uma reportagem muito legal sobre alimentação no japão e mostrou as bento box deles tão lindas e arrumadas. Lembrei de vc que faz comidinhas tão arrumadinhas! Falar nisso, vc já viu por aí dessas marmitas?
Quando vc vai postar uma receitinha nova? Adoro suas receitas! Um beijão!
Eu nem consigo ler tudo. Me dá vontade de chorar.